Prática religiosa e espiritualidade



A Prática religiosa nem sempre vem associada com uma espiritualidade. Pode ocorrer que um fiel participe de sua crença apenas por tradição, por costume familiar ou mesmo por que trabalha em uma ‘paróquia’, em uma ‘igreja’. Não no sentido de ser uma comunidade que expressa uma vivência de fé, e sim por ‘exercer’ uma atividade sócio-comunitária no sentido de uma ONG. Organizam festas de padroeiros, quermesses, gincanas, auxiliam na catequese, contudo no fundo não se trata de um comportamento religioso, é somente ‘costume’.

Você pode estar pensado que falo bobagem. Não se engane. Grande parte dos cristãos não sabe quase nada de sua fé. Aqui não se trata de generalização, mas de constatação. Basta uma pergunta, por exemplo, o que a adesão a Cristo implica em sua vida? Ou, o que a meditação da palavra, o estudo dos documentos da igreja, nos leva a assumir? E mesmo antes de um simples comportamento ético e moral: qual sua intimidade com Deus? Aqui não se trata de possuir um conhecimento intelectual, conceitual da religião. Dizemos da vivência religiosa mesmo, que aqui chamamos de espiritualidade.

Quantas comunidades têm grupo de reflexão e meditação da palavra? Quantas param para fazer retiros? Não digo formação. Digo retiro mesmo. Oração, meditação, tempo de silêncio. Não aqueles momentos de pregação e mais pregação, de assembléias, discussões de conselhos. São necessários sim. Contudo, caso uma ‘comunidade’ se baseia nisso para sobreviver, com o tempo se torna uma ONG, uma instituição apenas.

As liturgias hoje se apresentam cheias de novidades, de barulhos, de penduricalhos. Missas ‘de’ criança, Missa de 15 anos, Missa de bodas de prata, Missa do pão de santo Antonio, Missa de Santa Terezinha do Menino Jesus, etc. e tal. Fora as celebrações exóticas, palcos e shows que se espalham por toda parte. Aqui se revela a anemia da espiritualidade.  O mistério não é mais contemplado em sua penumbra. O silêncio se faz ausente, há uma neurose religiosa que não permite ver a realidade. E além do mais, o foco sai da divindade para o líder religioso, caindo-se na idolatria. A espiritualidade aqui se apresenta anêmica ou mesmo ausente.

Chato falar sobre isso não é mesmo? Porém, lembremos das cartas de Paulo a Comunidade de Corinto. A situação não estava fácil. Parece que hoje também necessitamos de novamente ouvir ensinamentos mais sólidos que deixe de lado os interesses mundanos – poder, dinheiro – para voltamos verdadeiramente a igreja de Jesus Cristo. Por isso, busquemos uma espiritualidade sadia. O povo no deserto por vezes vacilava, mas o Senhor se mostrou um Deus Misericordioso para com todos. Educou seu povo e pouco a pouco foi preparando o caminho. Em tempos de trevas acendamos uma luz em nosso coração, para que brilhe para todos Deus Encarnado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Obediência à Igreja

Análise da concepção de milagre a partir do caso da Tailândia